Entre trilhos, memórias e futuros possíveis, as aulas inaugurais acontecem de 11 a 15 de maio e dão início à formação de uma nova geração de narradores visuais
Realizado pela Horus Planejamento e Gestão, com articulação e parceria da Vale e iniciativa da Agência Nacional de Transporte Terrestre – ANTT, o Projeto Estação 2026 concluiu a seleção dos participantes, marcando o início de uma nova etapa dessa travessia individual e coletiva. Ao todo, 80 jovens foram selecionados entre mais de 780 buscas para inscrição, um dado que reforça a força e a relevância do projeto junto à juventude dos territórios atendidos.
O perfil das inscrições também revela a diversidade e o alcance da iniciativa: aproximadamente 71% do público inscrito se identifica como feminino, 67,5% como preto(a) ou pardo(a), 74,6% com nível médio de escolaridade e 73,6% com pouco conhecimento sobre fotografia. Os números evidenciam não apenas o interesse expressivo, mas também a pluralidade de vozes que buscam, por meio da arte, formas de expressão e pertencimento.
A próxima etapa do projeto são as aulas inaugurais, que acontecem entre os dias 11 e 15 de maio. Mais do que um início formal, esses encontros representam um momento fundamental tanto para os participantes quanto para o próprio projeto. É nesse espaço que se estabelecem as primeiras conexões, onde os jovens se reconhecem como parte de um coletivo e começam a construir vínculos que irão sustentar toda a jornada formativa.
As aulas inaugurais são pensadas como territórios de encontro. Para os alunos, significam acolhimento, escuta e a possibilidade de se enxergar como protagonista de sua própria narrativa. Para o projeto, representam a base viva sobre a qual se constroem as trocas, a confiança e a potência criativa que atravessam todas as etapas seguintes.
Logo após esse primeiro momento, o percurso segue com o início das aulas online, que aprofundam os conteúdos técnicos e artísticos e mantêm o vínculo entre os participantes, ampliando os espaços de troca, aprendizagem e criação.
Mais do que arte: um território que se reconhece
O projeto Estação percorre cidades ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas, revelando paisagens que não estão apenas nos trilhos, mas também nas pessoas, nos gestos e nas memórias que habitam esses territórios. Em 2026, a iniciativa chega a Santa Bárbara, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso, Belo Oriente, Naque e Periquito.
Há lugares onde o trem passa — e com ele, passam também histórias de trabalho, afeto, resistência e reinvenção. O Estação nasce exatamente nesse cruzamento: entre movimento e memória, entre território e identidade. É essa encruzilhada o nosso ponto de partida em cada cidade, em cada jovem, que irá se perceber ator ativo, agente real da sua história e da história da sua comunidade. Relata o Coordendor e Idealizador Geral do Projeto Preto Filho.
O projeto coloca jovens de 16 a 25 anos no centro da narrativa. Com um celular nas mãos e sensibilidade no olhar, eles aprendem a transformar o cotidiano em linguagem, a imagem em memória, o instante em permanência, e nesse contexto mais do que beneficiários de um projeto cultural, são entendidos e se passam a se entender como jovens que registram um Brasil mais profundo.
No Estação, cada fotografia é também um encontro. Um registro que reúne vozes, afetos e pertencimentos em uma mesma imagem. As fotografias atravessam todo o percurso do projeto — das oficinas às ruas, das telas aos territórios — e retornam ao espaço onde nasceram como espelhos possíveis, revelando novas formas de se perceber, se reconhecer e habitar o mundo.
O Estação vai além da formação técnica. Ele constrói pontes — entre pessoas, cidades, passado e futuro. Ao integrar fotografia, audiovisual e instalações artísticas urbanas, o projeto cria uma rede viva de afetos e saberes conectados pela ferrovia.
Em um país onde tantas memórias são silenciadas, o Estação escolhe escutar, revelar e permanecer. Sua atuação contínua faz com que o projeto ultrapasse o campo cultural, é presença qualificada e passa a integrar a própria memória dos territórios por onde passa.
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