Como Deus Constrói um Barnabé
Ninguém nasce um ‘consolador’; o Espírito Santo forma esse caráter.
Quando olhamos para Barnabé, podemos ser tentados a pensar que ele simplesmente nasceu com uma personalidade especial: alguém naturalmente bondoso, generoso e encorajador.
Mas a Bíblia nos mostra algo muito mais profundo. Barnabé não era apenas um homem com um temperamento agradável. Ele era um homem formado pela ação de Deus.
O caráter de Barnabé não foi um acidente da natureza; foi uma obra da graça. Em Atos 11:24 encontramos uma das mais belas descrições desse homem: “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.”
Observe a ordem das palavras de Lucas. Ele não diz primeiro que Barnabé era um grande orador. Não diz que era famoso. Não diz que tinha posição de destaque. Ele começa pelo caráter: “ELE Era UM homem bom.”
Na Bíblia, bondade não significa apenas ser educado ou gentil. Significa uma vida alinhada com o coração de Deus, uma pessoa cuja presença transmite aquilo que recebeu do Senhor. Mas Lucas acrescenta MAIS: mais duas características fundamentais:
“Cheio do Espírito Santo e de fé.”
Aqui está o segredo de Barnabé. Ele não encorajava pessoas apenas porque tinha uma personalidade positiva. Ele encorajava porque carregava dentro de si a presença de Deus.

Existe uma diferença entre otimismo humano e esperança espiritual.
- O otimista diz:
“Vai dar tudo certo.” - O homem cheio do Espírito diz:
“Mesmo que as circunstâncias sejam difíceis, Deus continua sendo fiel.”
Barnabé podia fortalecer outros porque sua própria alma estava fortalecida em Deus. E é aqui que encontramos uma pergunta essencial:
Como podemos nos tornar Barnabés em nosso tempo?
A resposta começa dentro de nós. Antes de sermos instrumentos de restauração para outros, precisamos permitir que Deus restaure nosso próprio coração.
- Um coração cheio de orgulho dificilmente encoraja.
- Um coração dominado por inveja dificilmente celebra o sucesso de outros.
- Um coração ferido que nunca recebeu cura frequentemente transmite feridas.
- Mas um coração tocado pela graça torna-se um canal de graça.
Barnabé aprendeu algo que muitos de nós, líderes, precisamos aprender: que o Reino de Deus cresce quando ajudamos outros a florescer, não quando tentamos impedir que outros brilhem.
Imagine se Barnabé tivesse pensado: “Por que vou ajudar Saulo? Ele poderá tornar-se mais conhecido do que eu.”
Ou: “Por que vou investir em João Marcos? Ele já falhou uma vez.”
A história da Igreja teria sido muito diferente. Mas Barnabé tinha aprendido a alegria de ver Deus trabalhando através de outras pessoas. Essa é uma das maiores marcas da maturidade espiritual.
Pessoas imaturas perguntam: “Como eu consigo ser reconhecido?”
Pessoas maduras perguntam: “Como posso ajudar alguém a cumprir o propósito de Deus?”
A formação de um Barnabé acontece diariamente: quando escolhemos ouvir em vez de julgar; quando escolhemos perdoar em vez de guardar ressentimento; quando escolhemos levantar alguém em vez de competir; quando escolhemos acreditar no potencial que Deus colocou em uma pessoa.
A igreja de Jesus Cristo no Brasil – ou em qualquer parte do mundo – precisa de pessoas assim. Veja a lista de pais, líderes, pastores, profissionais, cristãos:
- Precisamos de pais que sempre encorajem seus filhos.
- De líderes que formem novos líderes.
- De pastores que celebrem outros ministérios.
- De profissionais que abram portas para os mais jovens.
- Precisamos de cristãos que sejam conhecidos não apenas pelo que defendem, mas pelo amor que demonstram.
Barnabé nos ensina que o Espírito Santo não apenas transforma aquilo que fazemos; Ele transforma a pessoa que somos. E quando Deus transforma quem somos, nossa presença começa a transformar os ambientes onde chegamos.
A pergunta final que podemos fazer é: As pessoas encontram em mim uma expressão da graça de Deus?
Porque – eu creio nisso – Deus ainda está formando Barnabés.
E quem sabe Ele esteja fazendo isso com você, comigo – talvez, apenas começando. Por isso vou dizer ainda: – Hei, Senhor, eu também quero ser um Barnabé!
Rev.Rudi A. Kruger – Faculdade de Teologia Uriel de A. Leitão – [email protected]