O comércio de Caratinga precisa de clientes. Os clientes precisam de renda. E a renda depende do emprego, dos preços, dos impostos e das decisões econômicas do governo.

Parece simples, mas essa relação nos leva a uma pergunta importante neste segundo turno: Lula e Flávio Bolsonaro querem construir que tipo de Estado para o Brasil?

Não estamos discutindo apenas políticos. Estamos discutindo o dinheiro que chega à nossa casa, as contas que pagamos e as condições para manter um pequeno negócio funcionando.

Prometer é fácil. Como fazer?

Lula dá ênfase à proteção social, à valorização da renda do trabalho e ao investimento público. Flávio Bolsonaro destaca a redução de impostos, o controle das despesas e o estímulo à iniciativa privada.

Mas há perguntas que não podemos ignorar.

Se o governo reduzir impostos, quais serão reduzidos? Se cortar despesas, o que deixará de financiar? Se ampliar benefícios sociais, como pagará a conta?

Não basta perguntar quem promete mais. É preciso saber quem será beneficiado, quanto custará e como a proposta sairá do papel.

 

O dinheiro das famílias movimenta Caratinga

Uma medida do governo Lula já está em vigor: desde janeiro de 2026, quem recebe até R$ 5 mil mensais está isento do Imposto de Renda, conforme a Lei nº 15.270/2025. A lei também prevê redução gradual do imposto para rendimentos acima de R$ 5 mil até R$ 7.350.

Quem paga menos imposto pode ter mais dinheiro para comprar alimentos, roupas e serviços. Isso pode ajudar o comércio local, embora os resultados também dependam dos preços, dos juros e dos custos das empresas.

O pequeno empreendedor precisa de crédito, menos burocracia e condições para investir. Mas também precisa de clientes com dinheiro para consumir.

Quando a renda das famílias muda, o comércio sente.

Por isso, tanto os programas de apoio quanto as promessas de redução de impostos precisam ser avaliados pelas condições concretas que oferecem.

E as promessas para quem precisa de ajuda?

A campanha de Flávio anunciou o “Vira Pix”, uma proposta de devolução de parte de determinados pagamentos, como contas e prestações. Entretanto, a proposta não consta do plano de governo registrado no TSE, e faltam detalhes públicos sobre critérios, valores e custos.

Isso não significa que a ideia deva ser descartada antes de ser conhecida. Significa que precisamos perguntar: quem terá direito? Quanto receberá? De onde virá o dinheiro?

O governo Lula, por sua vez, anunciou o Pix MEI, com apoio de até R$ 5 mil para investimento produtivo, previsto para implementação a partir de 2027. O recurso não deve ser apresentado como se já estivesse sendo pago.

Nos dois casos, a pergunta é a mesma: como a promessa chegará à vida real das pessoas?

Trabalho e Constituição: o que está em jogo?

A jornada de trabalho também merece atenção. A Emenda Constitucional nº 141/2026 prevê dois dias de repouso semanal remunerado e a redução progressiva da jornada máxima para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A aplicação será gradual: o limite passa a 42 horas semanais dois meses após a publicação da emenda e chega a 40 horas um ano depois desse primeiro prazo. O desafio é acompanhar como a mudança será aplicada, inclusive nos pequenos negócios.

A Constituição de 1988, construída no processo de redemocratização, estabeleceu direitos e garantias fundamentais. Ela pode ser alterada pelos procedimentos previstos nela própria, mas qualquer mudança precisa ser examinada com cuidado: o que se pretende modificar e quais serão as consequências para os cidadãos?

Afinal, que país queremos?

O Brasil precisa de empresas que produzam e empreguem, de trabalhadores valorizados, de pequenos negócios fortes e de serviços públicos que garantam direitos.

A discussão não é simplesmente escolher entre Estado e mercado. É descobrir como cada projeto pretende combinar desenvolvimento econômico, responsabilidade fiscal e proteção social.

Em Caratinga, essa escolha aparece no caixa da loja, na conta de luz, no salário no fim do mês e na possibilidade de uma família consumir sem comprometer o básico.

Por isso, antes de votar, vale perguntar: quem apresenta propostas claras? Quem explica de onde virá o dinheiro? Quem mostra como pretende transformar promessas em resultados?

O eleitor merece respostas, não apenas slogans.

A QUESTÃO NÃO ESTÁ EM PAUTA, mas precisa entrar na pauta da cidadania.

 

PAZ E BEM!

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