Além de agressão física por gerente chinês, entidade denuncia relatos humilhantes de trabalhadoras que fizeram as necessidades fisiológicas na roupa
A rotina dos funcionários na fábrica de eletrodomésticos da multinacional chinesa Midea, em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, se transformou em um cenário de medo. Isso porque, nessa terça-feira (23/6), o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre (Sindmetpa), publicou um manifesto nas redes sociais que denuncia a agressão por parte de um gerente chinês a um operador brasileiro usando uma “gracheta” — peça de borracha rígida de vedação. O caso gerou indignação imediata e motivou a paralisação dos cerca de 1.200 colaboradores da unidade.
De acordo com a entidade sindical, o funcionário do setor de qualidade foi surpreendido pelo gestor estrangeiro durante o turno, recebendo tapas na região das costelas e, logo em seguida, um golpe nas costas com a peça de borracha.
Relatos de abusos
E o episódio exposto pelo Sindmetpa não foi um fato isolado, mas o estopim de uma série de relatos que envolvem assédio moral e físico no ambiente da fábrica.
Os trabalhadores relataram o que o sindicato descreve como um “cárcere psicológico” atrelado ao ritmo das esteiras de montagem. Conforme a entidade sindical, os pedidos dos funcionários para deixar os postos de trabalho e utilizar os sanitários são frequentemente ignorados ou negados pelas lideranças, sob a justificativa de que a produção não pode parar.
A denúncia também aponta o sofrimento das mulheres na linha de montagem. O sindicato formalizou o caso de uma funcionária que urinou na própria roupa e o de outra que, passando por problemas intestinais, teve o socorro negado pela chefia e acabou defecando nas vestimentas por não conseguir acesso ao banheiro em tempo hábil. “A atitude é considerada incompatível com qualquer ambiente de trabalho que respeite a dignidade dos trabalhadores”, afirma a entidade.
Impasse econômico e ameaça de greve por tempo indeterminado
Outro ponto de divergência entre a empresa e os funcionários são as negociações travadas. Segundo o sindicato, a categoria exige uma resposta imediata para pautas como o plano de cargos e salários, ticket alimentação e o fechamento do PLR 2026.
Até agora, há consenso apenas na mudança de função para Inspetores de Qualidade e em um valor pré-acordado de R$ 500 mensais. O sindicato deu um ultimato de 48 horas: ou a multinacional apresenta medidas punitivas severas e avança nos benefícios, ou a fábrica enfrentará uma greve geral por tempo indeterminado.
O que diz a Midea?
Em nota divulgada nas redes sociais, a Midea esclareceu que todas as informações estão sendo apuradas com rigor e responsabilidade.
A multinacional afirma que adotou medidas internas imediatas e que mantém o diálogo com as autoridades: “Desde o início, adotamos as medidas previstas em nossos protocolos internos e seguimos colaborando integralmente com os órgãos responsáveis para o esclarecimento dos fatos”. A companhia acrescentou que “a unidade mantém suas operações e continua atendendo normalmente seus compromissos produtivos”.
Por fim, a empresa enfatizou seu repúdio a condutas que firam suas diretrizes corporativas: “A Midea reforça que não compactua com quaisquer formas de violência, assédio, discriminação ou conduta incompatível com seus valores, Código de Conduta e políticas internas, permanecendo à disposição para os esclarecimentos necessários”.
Fonte: O Tempo