Moradora de Piedade de Caratinga, Samara Jéssica lança “A Rainha Sara e Seu Bebê”, obra inspirada em sua trajetória

CARATINGA– A moradora de Piedade de Caratinga, Samara Jéssica, pessoa com deficiência motora, encontrou na literatura uma forma de transformar sua dor em acolhimento. O livro A Rainha Sara e Seu Bebê foi lançado na Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga, e retrata sua trajetória como mãe e os desafios enfrentados em busca do convívio com o filho.

Segundo a autora, a obra nasceu do desejo de expressar o amor pelo filho, hoje com oito anos, e de compartilhar uma experiência que, segundo ela, também representa a realidade de outras mulheres. “O que me motivou foi o meu filho. Como eu não pude acolher o meu filho, foi a forma de expressar o meu amor por ele através dos livros”, conta.

Samara explica que começou a escrever durante o acompanhamento realizado no CAPS. A ideia ganhou força quando mostrou o texto durante o curso de Pedagogia, no UNEC. “Foi no CAPS que comecei levando a história. Depois, no primeiro período de Pedagogia, a professora olhou e falou: ‘isso dá um livro, sim’. A partir daí fizemos algumas modificações e eu também adaptei para a minha realidade”.

A autora afirma que o livro é baseado em sua própria história e aborda as dificuldades enfrentadas após o nascimento do filho, quando, segundo ela, não recebeu o apoio necessário para exercer a maternidade. “Esse livro conta a minha história, a minha trajetória como mãe deficiente”.

Durante a entrevista, Samara relatou que o filho mora em São Paulo e que atualmente busca, pela Justiça, ampliar o contato com ele. “Estou lutando pelo meu filho. Hoje nem acesso por telefone eu estou tendo”.

Ela também falou sobre os sentimentos que viveu naquele período e reconhece que o medo influenciou suas decisões. ” Eu tenho a clareza também que eu fugi da minha responsabilidade como mãe, porque eu tive medo. Mas, ao invés de as pessoas me acolherem e dizerem ‘vai dar tudo certo, a gente está aqui para te ajudar’, foi o contrário. Ouvi que eu não servia para ser mãe”.

Apesar das dificuldades, Samara afirma que decidiu transformar a dor em uma mensagem de esperança para outras mães. “Está tendo muito resultado o meu trabalho, porque vejo que outras mães passaram pela mesma situação que a minha. É levar empatia e acolhimento para outras mães também”.

Ela conta que uma das maiores recompensas veio ao perceber que sua história ajudou outras mulheres. “Uma moça foi lá em casa, me abraçou e falou: ‘Nossa, fui tão representada por você’. Isso, para mim, é muito gratificante”.

Samara também destaca que segue em tratamento psicológico e psiquiátrico, buscando estar preparada para fortalecer o vínculo com o filho. “Eu quero ser uma boa mãe para o meu filho. Estou fazendo tratamento direitinho, tomando meus remédios, para quando ele vier eu estar bem e, se Deus quiser, ele vai vir de novo para me ver”, afirma, destacando que esteve com o filho pela última vez no ano passado.

Além da maternidade, o livro também aborda a inclusão das pessoas com deficiência. Segundo a autora, sua intenção é chamar a atenção para a necessidade de acolher não apenas a criança, mas também a mãe.

Ao final da entrevista, Samara convidou o público a conhecer a obra. “Quem quiser adquirir o meu livro pode procurar na Papelaria São Paulo, com a Bruna. E todos estão convidados também aqui na Casa Ziraldo de Cultura essa semana, das 9h às 11h ou das 13h às 17h.

A Rainha Sara e Seu Bebê utiliza a experiência pessoal de Samara Jessica para abordar temas como maternidade, deficiência, inclusão, saúde mental e superação, buscando despertar empatia e incentivar o acolhimento a outras mães que enfrentam situações semelhantes.

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