Floradas antecipadas geram especulações sobre safra

 

As mudanças climáticas que vêm afetando o clima global anteciparam, neste ano, a chegada das chuvas aos cafezais brasileiros, provocando floradas precoces em diversas regiões produtoras. O fenômeno alimentou especulações sobre o tamanho da safra de 2027, embora essas floradas possam criar uma falsa impressão de alta produção. Ao mesmo tempo, a entrada da nova safra brasileira de 2026, proporcionando alívio momentâneo ao abastecimento, contribuiu para pressionar as cotações do café nas bolsas de Nova Iorque e Londres.

 

Exportações batem recorde de conilon

 

As exportações brasileiras de café ultrapassaram 4 milhões de sacas em agosto, segundo dados divulgados pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Foram embarcadas 4.155.451 sacas de 60 quilos, alta de 31% em relação a agosto de 2025 e de 36,3% na comparação com julho deste ano. O destaque foi o conilon, com 953.592 sacas de café verde exportadas, recorde para um único mês. Somadas às 332.192 sacas equivalentes de café solúvel, o volume de conilon exportado chegou a 1.285.784 sacas.

 

Consumo e exportações reduzem estoques

 

Nos dois primeiros meses do novo ano-safra brasileiro, julho e agosto, o consumo interno somado às exportações já retirou cerca de 11 milhões de sacas dos estoques nacionais. O volume é pouco inferior à produção anual da Colômbia, terceira maior produtora mundial de café.

 

Nova Iorque fecha semana em queda

 

Os contratos de arábica para dezembro na ICE Futures US encerraram a sexta-feira (11) em US$ 2,8570 por libra-peso, queda de 245 pontos, ou 0,85%. Na semana, a baixa acumulada foi de 990 pontos, equivalente a 3,35%. Em reais, os contratos para dezembro fecharam a R$ 1.936,86 por saca, contra R$ 2.005,93 na sexta-feira anterior.

 

Robusta recua no fechamento

 

Em Londres, os contratos de robusta para novembro fecharam a US$ 3.525 por tonelada, queda de US$ 29, ou 2,36%, nesta sexta-feira (11). Apesar do recuo no último pregão, acumularam alta de US$ 95, ou 2,77%, na semana.

 

Estoques certificados seguem baixos

 

Os estoques de café arábica certificados na ICE Futures caíram 525 sacas nesta sexta-feira (11) e chegaram a 217.932 sacas. Há um ano, eram 669.991 sacas, o que representa redução de 452.059 sacas no período. Na semana, os estoques certificados recuaram 5.780 sacas. Em agosto, a queda foi de 40.203 sacas.

 

Mercado físico permanece cauteloso

 

O mercado físico brasileiro de arábica continua com forte interesse comprador para diferentes padrões de café, mas o volume de negócios permanece abaixo do habitual para este período de entrada da nova safra. As fortes oscilações dos contratos em Nova Iorque dificultam a formação de preços e levam muitos produtores a adiar as vendas, aguardando maior clareza sobre o comportamento do mercado nos próximos meses. Neste momento, muitos comercializam apenas o necessário para cumprir compromissos financeiros relacionados ao encerramento da colheita e ao beneficiamento da nova safra.

 

Embarques de setembro estão abaixo de agosto

 

Até o dia 11, o Brasil havia embarcado 709.879 sacas de café em setembro: 578.289 de arábica, 95.439 de conilon e 36.151 de solúvel. No mesmo período de agosto, haviam sido embarcadas 1.085.081 sacas. Por outro lado, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarques em setembro somavam 1.336.200 sacas, acima das 1.180.855 sacas registradas no mesmo período do mês anterior.

 

Dólar sobe e café perde valor em reais

 

O dólar encerrou a sexta-feira (11) em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,1250. Com a combinação entre a valorização da moeda norte-americana e a queda dos contratos em Nova Iorque, o café para dezembro fechou a R$ 1.936,86 por saca. Desde o fechamento de 4 de setembro, quando o contrato estava em R$ 2.005,93, a queda chega a R$ 69,07 por saca.

 

Uma semana de pressão sobre o café

O cenário da última sexta-feira (11) resume uma semana de pressão sobre as cotações internacionais. A entrada da nova safra brasileira, as expectativas em torno das floradas antecipadas e as oscilações do mercado financeiro mantêm produtores e compradores atentos aos próximos movimentos. Apesar da pressão sobre os preços, o mercado físico brasileiro continua apresentando interesse comprador, enquanto os estoques certificados de arábica permanecem em níveis significativamente inferiores aos registrados há um ano.

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