Ação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar prende dois investigados por tentativa de homicídio em Ubaporanga
UBAPORANGA – Dois homens, de 32 e 26 anos, foram presos nesta quarta-feira (28) durante a operação Alter Ego, deflagrada pela Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar, para cumprir mandados relacionados à investigação de uma tentativa de homicídio contra um casal em Ubaporanga. A ação mobilizou 13 policiais e resultou no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva. Outros dois investigados, de 23 e 20 anos, não foram encontrados e são considerados foragidos.
A tentativa de homicídio ocorreu em 19 de setembro, no Centro de Ubaporanga. Segundo as investigações, quatro homens teriam perseguido as vítimas, um homem de 23 anos e uma mulher de 24, utilizando uma caminhonete Toyota Hilux e uma motocicleta Honda CG Titan 160. A perseguição terminou quando os veículos teriam interceptado o Fiat Uno em que o casal estava, e os ocupantes efetuaram diversos disparos de arma de fogo.
De acordo com a apuração, os tiros atingiram o automóvel e a janela de uma residência próxima. Apesar do risco, o casal não foi atingido. O episódio também colocou em perigo outras pessoas que estavam nas imediações, em uma área de circulação de veículos e pedestres.
Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, tenente Arthuso explicou que, após o registro da ocorrência, a Polícia Militar realizou levantamentos, incluindo a análise de imagens de câmeras de segurança, que contribuíram para identificar suspeitos. As informações foram repassadas à Polícia Civil, responsável pela investigação criminal.
“Foi feito contato com o Dr. Sávio, nossa parceria com a Polícia Civil. E as informações foram passadas para ele”, relatou o tenente, ao explicar como o trabalho inicial da PM contribuiu para o andamento do inquérito.
O delegado Sávio Moraes, responsável pela Delegacia de Homicídios da 2ª Delegacia Regional de Caratinga, destacou a integração entre as instituições e a reunião de elementos que permitiram identificar os quatro investigados. A partir das informações levantadas, a Polícia Civil representou pelas medidas judiciais, posteriormente autorizadas pela Justiça da Comarca de Caratinga.
Desentendimento antecedeu os disparos
Conforme a investigação, a motivação do crime estaria relacionada a um desentendimento ocorrido horas antes, durante uma festa em uma chácara no Córrego do Amaral. Segundo os levantamentos policiais, houve uma discussão entre pessoas presentes no evento, com relatos de arremesso de bebida e agressões físicas.
O tenente Arthuso afirmou que o casal deixou o local após a confusão. Mais tarde, já na área central de Ubaporanga, as vítimas teriam percebido que estavam sendo seguidas pela caminhonete e pela motocicleta. Na sequência, os veículos teriam bloqueado a passagem do Fiat Uno, e foram efetuados os disparos.
O delegado Sávio Moraes também apontou o desentendimento como possível motivação. Segundo ele, um dos investigados teria se envolvido diretamente na briga ocorrida durante o evento e, em seguida, se encontrado com os demais suspeitos. A investigação apura a hipótese de que os quatro tenham agido de forma coordenada para atacar o casal.
Após os disparos, os envolvidos teriam deixado o local. Ainda segundo as informações reunidas no inquérito, houve tentativa de obter informações sobre as vítimas em um estabelecimento comercial, o que indicaria a intenção de dar continuidade à perseguição.
Armas apreendidas serão periciadas
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram um revólver calibre .38 e uma pistola calibre .380. As duas armas foram apreendidas e serão submetidas a exames de microcomparação balística para verificar se foram utilizadas no ataque de setembro.
De acordo com o delegado, as armas estavam regularizadas e pertenciam aos pais dos investigados. A apreensão tem como objetivo permitir a comparação técnica com os vestígios recolhidos durante a apuração da tentativa de homicídio.
Outra pistola calibre .380, registrada em nome do investigado de 32 anos, não foi localizada durante as buscas. O homem possui registro como colecionador, atirador desportivo e caçador (CAC). A ausência da arma foi comunicada à Polícia Federal, que deverá apurar a situação administrativa relacionada ao armamento.
O delegado informou que, durante o cumprimento do mandado na residência do investigado, os policiais também não localizaram o cofre mencionado como necessário para o armazenamento da arma. A situação será analisada pelas autoridades competentes, sem prejuízo da investigação criminal em andamento.
Investigado tem registro anterior relacionado a homicídio
Conforme a Polícia Civil, o homem de 32 anos possui registros anteriores relacionados à posse ilegal de arma de fogo e foi indiciado por um homicídio ocorrido em 2024, em Santa Rita de Minas. Em relação ao investigado de 26 anos, a polícia informou que não foram identificados antecedentes criminais.
A existência de registro anterior ou de indiciamento em outro caso não representa condenação criminal. As responsabilidades de cada investigado nos fatos apurados em Ubaporanga serão analisadas no curso do processo judicial.
Após os procedimentos de polícia judiciária, os dois homens presos foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça. Os outros dois investigados não foram localizados durante a operação, e as equipes policiais continuam as diligências para cumprir os mandados de prisão preventiva pendentes.
Segundo o delegado Sávio Moraes, o inquérito deverá ser concluído no prazo de dez dias, em razão das prisões preventivas, e posteriormente encaminhado à Justiça.
Nome da operação
A operação foi denominada Alter Ego, expressão latina que significa “outro eu”. Segundo a explicação apresentada pela Polícia Civil, o nome faz referência, em sentido figurado, à ideia de uma identidade ou faceta distinta daquela apresentada socialmente.
A ação integra o trabalho conjunto das polícias Civil e Militar na apuração de crimes violentos e na identificação dos responsáveis por ataques com armas de fogo na região.
Câmera de segurança registrou quando os suspeitos seguiram as vítimas (imagem – reprodução)
PC conduziu os detidos até a delegacia
Delegado Sávio Moraes e tenente Arthuzo falaram sobre a operação


