Decisão, segundo aliados do deputado, depende ainda de reunião com Lula para ser oficializada

O deputado federal Patrus Ananias será o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de Minas Gerais. A informação é do coordenador nacional do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, Jilmar Tatto — responsável por organizar a estratégia petista para a eleição de outubro.

A oficialização do nome de Patrus como postulante ao Palácio Tiradentes deve ser feita após uma reunião entre o ex-prefeito de Belo Horizonte e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro pode ser realizado ainda nesta quarta-feira (16) em Brasília.

“Minas está resolvido, o nosso candidato a governador vai ser o Patrus Ananias. Já tem unanimidade no PT de Minas, unanimidade aqui no GTE nacional, o presidente Lula concorda, então tá tranquilo”, disse Tatto à reportagem.

O TEMPO apurou que Lula teria pedido a Patrus para que ele não retorne a Belo Horizonte sem participar da conversa no Palácio da Alvorada. A viagem do parlamentar à capital mineira, geralmente, ocorre às quintas-feiras.

Procurada, a assessoria de Patrus não confirmou que a situação esteja definida. No entanto, conforme apurou a reportagem, o deputado está em Brasília cumprindo atividades parlamentares e aguardando justamente um encontro com Lula para tratar da situação. Na reunião, Ananias quer entender as condições antes de bater o martelo, segundo interlocutores.

No diretório estadual do PT, apesar do otimismo, há ainda um pé no freio quanto a uma solução final. A questão, todavia, é tratada com boas expectativas. “Patrus é unanimidade não só no PT, mas em todo campo progressista”, disse um quadro do partido reservadamente.

Da negativa ao cortejo

A possível confirmação de Patrus Ananias como o responsável por encabeçar o palanque do PT em Minas ocorre após o deputado ter descartado a possibilidade. No dia 4 de julho, quando lançou a pré-candidatura a deputado federal, Patrus afirmou à reportagem de O TEMPO que não tinha pretensões de assumir a candidatura.

Durante o evento, realizado na região da Lagoinha, em BH, houve rumores de uma possível candidatura. “Eu sou candidato a deputado federal. Estou lançando a minha pré-candidatura à reeleição e digo isso considerando também o meu momento existencial, minhas condições também pessoais, familiares e de vida”, relatou Patrus.

No entanto, três dias após lançar sua pré-candidatura à reeleição na Câmara, Patrus entrou de vez no radar petista e foi oficialmente procurado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que tratou da possibilidade com ele. A conversa que se deu por telefone ainda teve como participante o ex-ministro dos governos Lula, Gilberto Carvalho.

Na ocasião, Edinho apresentou a Patrus resultados de uma pesquisa interna que colocaram o deputado em destaque e com boas condições de assumir uma candidatura ao governo de Minas.

Bate-cabeça

A sinalização de que o palanque de Lula será definido em Minas se dá após meses de um bate-cabeça da legenda. O partido apostou todas as fichas no senador Rodrigo Pacheco (PSB) que, após impor meses de espera aos petistas, anunciou o fim do ciclo na política. Sem Pacheco, o PT voltou a tentar uma composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que negou a ideia, como já feito anteriormente.

Os petistas ainda tentaram convencer a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) a abandonar a pré-candidatura ao Senado e se entrar na corrida ao governo. Ela, porém, resistiu à pressão e se manteve na disputa por uma vaga no Congresso. Por fim, o Partido dos Trabalhadores ainda chegou a aventar a possibilidade de apoiar as pré-candidaturas de Gabriel Azevedo (MDB) e Jarbas Soares Júnior (PSB), mas as tratativas não avançaram.

Azevedo, inclusive, foi o que teve melhor desempenho em pesquisas internas, e tinha também o apoio do PV e do PCdoB, mas o nome dele enfrentou, segundo interlocutores, resistências entre caciques do PT em Minas e em Brasília.

Fonte: O Tempo

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