Mudança e transformação são duas palavras que ouvimos praticamente todos os dias. Elas aparecem nos discursos políticos, nas reuniões de trabalho, nas conversas em família, nas escolas, nas igrejas e até mesmo nas redes sociais. Em praticamente todos os lugares, alguém fala sobre a necessidade de mudar alguma coisa. Sempre existe um problema a ser resolvido, uma situação a ser corrigida, um sistema que precisa ser melhorado ou uma realidade que precisa ser transformada.

Seja dentro de casa, na família, no trabalho, no bairro, na cidade, no estado, no país ou mesmo no mundo, existe um consenso que parece unir pessoas dos mais diferentes pensamentos: há muitas coisas que precisam ser renovadas, transformadas e melhoradas. Todos reconhecem que existem falhas, injustiças, desperdícios, corrupção, violência, desrespeito, desordem e inúmeros outros problemas que precisam ser enfrentados.

Mas, infelizmente, mesmo que praticamente todas as pessoas concordem com a necessidade de mudança, poucos estão realmente dispostos a assumir a responsabilidade e o papel de agentes dessa transformação.

Queremos mudanças. Desejamos uma sociedade melhor, uma política melhor, famílias melhores, escolas melhores, cidades melhores. Queremos colher os frutos das mudanças, mas raramente queremos plantar as sementes que as tornarão possíveis.

Queremos ser alcançados pelas mudanças, mas não queremos ser aqueles que darão o primeiro passo. Esperamos que outras pessoas assumam a responsabilidade que, muitas vezes, também é nossa. Enquanto isso, procuramos desfrutar da situação em que nos encontramos, ainda que ela esteja longe do ideal, esperando que alguém faça aquilo que nós mesmos sabemos que deveria ser feito.

Na maioria das vezes, criamos justificativas para permanecer exatamente onde estamos. Dizemos que ainda não é o momento, que somos apenas uma pessoa entre milhões, que nada mudará por causa de uma pequena atitude nossa. E assim vamos adiando aquilo que deveria começar hoje. No fundo, parece que seguimos uma filosofia silenciosa: “aproveitemos enquanto ainda dá, e as próximas gerações resolverão os problemas que estamos deixando”. Sempre encontramos alguma razão para transferir nossa responsabilidade para outra pessoa, para outro grupo ou para outro tempo.

Com isso, passamos a esperar por uma geração ativa e consciente que nunca chega. Esperamos por líderes salvadores que nunca aparecem. Depositamos nossas esperanças em pessoas que sequer conhecemos, enquanto negligenciamos aquilo que está ao alcance de nossas próprias mãos.

O problema é que, ao mesmo tempo em que esperamos que as futuras gerações mudem a sociedade, somos nós que as estamos formando. Transmitimos a elas nossos hábitos, nossos costumes, nossa maneira de pensar e nossa forma de agir. Depois esperamos, quase milagrosamente, que elas rompam com tudo aquilo que lhes ensinamos e façam aquilo que nós mesmos nunca tivemos coragem de fazer. É uma expectativa extremamente contraditória: queremos que as novas gerações façam aquilo que nós não ensinamos.

Não podemos esperar colher uma realidade diferente plantando exatamente as mesmas sementes. Não podemos ensinar conformismo e esperar coragem. Não podemos ensinar comodismo e esperar protagonismo. Não podemos ensinar omissão e esperar responsabilidade.

Enquanto cada geração continuar transferindo suas responsabilidades para a seguinte, a mudança continuará sendo apenas uma promessa repetida ao longo do tempo.

Muitos acreditam que essa transformação acontecerá apenas por meio das eleições ou das decisões tomadas pelos governantes. Sem dúvida, a política possui sua importância e exerce influência sobre a vida da sociedade. Entretanto, limitar toda a esperança de transformação apenas às ações dos políticos significa ignorar a responsabilidade que pertence a cada cidadão. Nenhum sistema será melhor do que as pessoas que o compõem.

Uma sociedade não muda apenas quando troca seus governantes. Ela muda quando seus cidadãos mudam sua maneira de pensar, de agir e de assumir suas responsabilidades. As grandes transformações da história sempre começaram quando pessoas comuns pararam de esperar e começaram a agir.

As mudanças que tanto desejamos somente começarão a acontecer quando cada um de nós compreender que possui uma parcela de responsabilidade sobre a realidade em que vive. Talvez não possamos mudar o mundo inteiro, mas certamente podemos mudar o ambiente ao nosso redor. Podemos mudar nossa família, nosso local de trabalho, nossa comunidade e nossa maneira de tratar as pessoas.

Toda grande transformação coletiva começa com pequenas mudanças individuais. Talvez o maior obstáculo para as mudanças que tanto necessitamos não seja a falta de recursos, nem a falta de oportunidades, nem mesmo a falta de conhecimento. Talvez o maior obstáculo seja nossa constante disposição de esperar que alguém faça aquilo que nós mesmos sabemos que deveríamos fazer.

Enquanto continuarmos aguardando que outros iniciem as mudanças necessárias, permaneceremos presos exatamente na realidade que tanto criticamos. A transformação da sociedade nunca acontecerá de forma espontânea.

Se realmente queremos um futuro diferente, precisamos compreender que esse futuro não será construído apenas pelas próximas gerações. Ele começa a ser construído pelas escolhas que fazemos hoje, pois o amanhã sempre nasce das atitudes do presente.

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