Especialista esclarece mitos sobre testosterona, menopausa e tireoide e faz um alerta sobre os riscos da automedicação

CARATINGA- A busca por reposição hormonal cresceu significativamente nos últimos anos, impulsionada principalmente pela popularização do tema nas redes sociais. No entanto, o endocrinologista Lúcio Henrique Rocha Vieira alerta que o tratamento não é indicado para todas as pessoas e que seu uso sem avaliação médica pode trazer sérias consequências à saúde.

Segundo o especialista, o envelhecimento da população e a busca por qualidade de vida contribuíram para o aumento do interesse pelo assunto. Entretanto, muitas informações divulgadas na internet acabam criando falsas expectativas. “A população está envelhecendo e quer envelhecer com qualidade de saúde. Muitas vezes, a reposição hormonal é divulgada nas redes sociais como a solução dos problemas. Tem sido muito divulgada na internet essa questão de que a reposição hormonal é uma fórmula de bolo para melhorar a qualidade de vida do paciente, mas, na verdade, os pacientes que têm indicação de reposição hormonal são aqueles com indicações clínicas bem específicas”, afirma.

Reposição hormonal não é indicada para todos

O endocrinologista explica que a terapia hormonal pode trazer benefícios importantes quando há indicação médica, especialmente para mulheres que enfrentam sintomas intensos da menopausa. “Não é para todo mundo. Isso é um grande mito. As mulheres na menopausa que apresentam sintomas e têm a qualidade de vida comprometida se beneficiam da terapia de reposição hormonal”.

Já entre os homens, o cenário é diferente. “A imensa maioria dos homens não precisa fazer terapia hormonal para melhorar a qualidade de vida. Ainda vivemos em uma sociedade muito machista, que associa os níveis de testosterona à masculinidade. A testosterona melhora muito a qualidade de vida quando bem indicada, mas não é um remédio para emagrecer, aumentar massa muscular de forma milagrosa ou melhorar a disposição”.

Segundo ele, a deficiência hormonal masculina costuma estar associada a sintomas como fadiga, indisposição, diminuição da libido, alterações de humor e redução dos pelos corporais.

O médico também demonstra preocupação com o aumento do uso de testosterona por pessoas saudáveis em busca de melhor desempenho físico e ganho de massa muscular. “Cada vez mais rapazes têm procurado, por formas que não são seguras, usar hormônios para melhorar a composição corporal. As mulheres também têm recorrido a esse recurso para aumentar a massa magra”.

Entre os riscos do uso inadequado da testosterona estão trombose, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e infertilidade. “O sangue pode ficar mais espesso, aumentando o risco de trombose, infarto e derrame. Além disso, o homem pode evoluir com infertilidade e, em muitos casos, acaba ficando dependente de reposição hormonal pelo resto da vida”.

Menopausa exige avaliação individual

Durante a entrevista, Lúcio Henrique também explicou que o ganho de peso na menopausa costuma ser discreto e não deve ser encarado como inevitável. “No período de transição menopausal, entre os 45 e 55 anos, é esperado que a mulher ganhe cerca de meio quilo por ano e até um centímetro de circunferência abdominal”.

Ele ressalta que a indicação da terapia hormonal depende principalmente da presença de sintomas que afetam a qualidade de vida. “Os principais sintomas que indicam tratamento são as ondas de calor intensas, os chamados fogachos, além de ressecamento vaginal, dor durante a relação, incontinência urinária e outros sintomas geniturinários”.

Tireoide não é a principal causa da obesidade

Outro mito frequentemente encontrado nos consultórios envolve a tireoide. De acordo com o endocrinologista, alterações na glândula não são responsáveis pela obesidade. “A tireoide não causa obesidade. Quando está descontrolada, pode provocar um aumento de um a três quilos, mas esse ganho costuma ser revertido com o tratamento adequado”.

Para o endocrinologista, a grande quantidade de informações disponíveis na internet exige senso crítico por parte da população. “Estamos sendo muito bombardeados por informações. É importante que as pessoas leiam, se informem e levem suas dúvidas para discutir durante a consulta médica. O ambiente ideal para esclarecer sintomas e definir se existe indicação de tratamento é o consultório”.

Lúcio Henrique também orienta que todas as pessoas façam uma primeira avaliação metabólica a partir dos 35 anos, especialmente quem apresenta fatores de risco, como excesso de peso, tabagismo, hipertensão, histórico familiar de infarto ou derrame e síndrome dos ovários policísticos.

Ele lembra ainda que a obesidade é uma das doenças mais frequentes da atualidade. “Hoje, cerca de 30% da população tem obesidade, mas menos de 3% dessas pessoas estão em tratamento. Isso mostra que o tratamento ainda não está chegando a quem realmente precisa”.

O endocrinologista Lúcio Henrique alerta que a reposição hormonal deve ser indicada apenas após avaliação médica

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