CARATINGA– Diogo Lopes Barcelos, o “Dioguinho” foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão pelo Tribunal do Júri da Comarca de Caratinga, nesta quinta-feira (15). A sessão foi realizada no Fórum Desembargador Faria e Sousa, com início às 8h30 e encerramento às 20h30, totalizando 12 horas de julgamento.
O processo trata do homicídio de Júlio Cézar dos Reis, conhecido como “Petrúquio”, morto a tiros em 19 de novembro de 2025, na área de uso comum do Condomínio Residencial Esperança 3, no bairro Esperança, em Caratinga.
Crime ocorreu após desentendimento
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o crime ocorreu por volta das 18h26. “Dioguinho”, foi acusado de efetuar disparos de arma de fogo contra Júlio Cézar dos Reis, que morreu em decorrência dos ferimentos.
A acusação apontou como possível motivação uma desavença relacionada à cobrança de valores decorrentes de um acidente de trânsito anterior envolvendo os dois. Conforme os autos, a vítima cobrava do acusado o ressarcimento de prejuízos materiais.
O Ministério Público denunciou o réu por homicídio qualificado por motivo torpe e também por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, em razão de outro episódio relacionado à investigação.
Imagens de câmeras auxiliaram a investigação
As investigações reuniram depoimentos de testemunhas, laudos periciais e imagens de câmeras de segurança do condomínio.
Segundo os relatos registrados no processo, as imagens mostraram os dois homens conversando antes dos disparos. Testemunhas ouvidas durante a investigação também relataram que a vítima foi atingida e caiu ao chão, sendo que novos disparos teriam sido efetuados em seguida.
Após o crime, o suspeito teria deixado o local em uma motocicleta. A Polícia Militar realizou diligências para localizá-lo, e a investigação avançou com a análise das imagens e a coleta de informações.
O acusado compareceu à Delegacia de Polícia Civil acompanhado de advogado, cinco dias após o homicídio, e apresentou um revólver que afirmou ter sido utilizado no crime. Entretanto, a investigação levantou dúvidas sobre a arma entregue, uma vez que suas características não correspondiam às observadas nas imagens.
Defesa apresentou tese durante o processo
Na fase anterior ao julgamento pelo Tribunal do Júri, a defesa sustentou que o acusado teria agido em legítima defesa, alegando que existiam desentendimentos e ameaças anteriores entre ele e a vítima.
A defesa também questionou a qualificadora do motivo torpe e apresentou argumentos relacionados à acusação de porte ilegal de arma de fogo.
Essas questões foram discutidas no decorrer do processo, que culminou no julgamento pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (15).
Condenação
Ao final da sessão, após 12 horas de julgamento, Diogo Lopes Barcelos foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão.
A condenação representa o desfecho do julgamento pelo Conselho de Sentença, responsável por decidir sobre a responsabilidade do acusado nos crimes dolosos contra a vida submetidos ao Tribunal do Júri.

Júlio Cézar dos Reis, conhecido como “Petrúquio”, foi morto a tiros em novembro de 2025, na área de uso comum do Condomínio Residencial Esperança 3 (Foto: Arquivo)

Câmeras de monitoramento registraram o crime (Imagem reprodução)